O presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, declarou nesta segunda-feira que não pretende investir mais tempo no projeto metrobus, deixando essa decisão para a próxima administração.
Em sessão executiva, Moreira sublinhou a importância de o futuro governo municipal assegurar que a transferência das competências para a Sociedade de Transportes Coletivos do Porto (STCP) ocorra de maneira a proteger os interesses da empresa, destacando estar ausente de qualquer garantia técnica sobre a viabilidade do projeto.
O autarca manifestou preocupação após receber uma resposta do ministério das Infraestruturas e Habitação, liderado por Miguel Pinto Luz, acerca do memorando de entendimento envolvendo o Estado, a Câmara do Porto, a Metro do Porto e a STCP. O documento, acessado pela agência Lusa e partilhado com todos os vereadores, revela que as preocupações do município não foram abordadas, especialmente no que se refere à responsabilidade da Metro do Porto se o projeto não se concretizar.
Moreira também criticou a forma como o ministério permitiu o anúncio prematuro da operação do metrobus para 2024, apesar de não existirem condições objetivas para se resolver questões pendentes do projeto, enfatizando que as questões se prolongam além do seu mandato.
Em 7 de junho, a STCP, designada futura operadora do metrobus, considerou "inviável" a manobra de inversão de marcha no extremo da Avenida da Boavista, recomendando que o veículo faça o contorno da rotunda para evitar transtornos ao trânsito.
Testes indicam que seria necessário invadir vias laterais, o que não poderia ser executado repetidamente sem policiamento devido ao impacto no tráfego e na regularidade do serviço.
Já no dia 12 de junho, a Metro do Porto afirmou à Lusa que o projeto do metrobus foi desenvolvido em conjunto com a Câmara do Porto, assegurando que testes na rotunda da Boavista foram realizados antes do início das obras.
Durante a apresentação da empreitada, em janeiro de 2023, foi proposta a instalação de uma microrrotunda junto à Casa da Música para facilitar manobras do autocarro do metrobus em até 30 segundos.
O metrobus ligará a Casa da Música à Praça do Império em 12 minutos e à Anémona em 17, com várias paradas estratégicas, sendo composto por autocarros a hidrogénio visualmente semelhantes aos do metro tradicional, num investimento total de 29,5 milhões de euros. O valor estimado da obra é de 76 milhões de euros.